KORRE: Plataforma de mentoria e capacitação para jovens periféricos
Infelizmente, não é novidade que a realidade das periferias da cidade de São Paulo é marcada pela desigualdade social e econômica, mas também o problema é estendido para o âmbito digital. Quando falamos de acessibilidade, usabilidade e da experiência de usuários como um todo, é comum que a fatia demográfica em questão não seja contemplada pelas soluções propostas pelos produtos e tão pouco pelos stakeholders envolvidos nos projetos.
O KORRE é uma plataforma que traz como premissa uma preocupação em solucionar a dor e os desafios do jovem periférico em engajar nas primeiras oportunidades profissionais e na protagonização da sua carreira. Portanto, esse projeto enfrenta problemáticas sistêmicas, como barreiras geográficas e ausência de infraestrutura, para alcançar objetivos transformadores para o futuro dos jovens potência e sua participação no desenvolvimento da cidade.

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Imersão no contexto, problema e entendendo os usuários.
Antes mesmo de iniciarmos a declaração do problema, o Discovery parte da proposta: "Como ajudar o jovem periférico a conseguir o primeiro emprego?", e primeiramente busquei entender como esse problema era atestado pelos futuros usuários.
Para isso, determinei um cronograma afim de estipular um limite para a exploração das informações e garantir a progressão das análises, enquanto em paralelo desenvolvi um roteiro, agendamento e condução de entrevistas com o público alvo.
Essa prática mostrou-se bastante frutífera para a etapa de Discovery e adiantou percepções que seriam confirmadas futuramente, como por exemplo:
Evitou o excesso de exploração dos materiais e informações já existentes;
Trouxe assertividade para as suposições que deveriam ser validadas;
Elucidou que, para a população periférica, o tempo gasto em transporte para locomoção até o trabalho, entrevistas e outros, assim como os problemas de infraestrutura (acesso à conexão de internet, aparelho com recursos de chamada ou visualização funcionais) são grandes barreiras para realização de tarefas e oportunidades online e síncronas.
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Ideação, análise das descobertas e validação das hipóteses.
Apesar das dificuldades, foi possível entrevistar uma pequena amostra do grupo previsto inicialmente. Para direcionar os próximos passos, estabeleci paralelos entre os relatos e respostas das entrevistas com as informações encontradas através de netnografia e estudo de pesquisas realizadas por instituições experientes nesse contexto demográfico. Algumas descobertas valiosas incluem:
Há constante menção e uso do termo "Jovem Potência" para referir-se aos jovens periféricos entre 15 e 29 anos de idade, que estão próximos ou em situação de vulnerabilidade e possuem poucas oportunidades e prognóstico de formação acadêmica ou trabalho formal;
O índice de desemprego (35%) entre esses jovens, na cidade de São Paulo, é de mais que o dobro da população total (16%);
Apesar de visualizarem os primeiros passos da carreira no ingresso ao trabalho formal, existe um desejo latente de consolidar-se como empreendedor no futuro.


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Redefinindo o desafio e priorizações para a solução.
Com um entendimento aprofundado da realidade dos jovens periféricos, ficou claro que para solucionar os problemas intrínsecos às oportunidades de emprego e desenvolvimento profissional algumas limitações precisariam ser consideradas:
As barreiras geográficas ainda serão, muitas vezes, um fator limitante para comparecer em entrevistas ou viabilizar o ingresso em programas educacionais presenciais;
Para esse projeto, práticas que priorizam a usabilidade e experiência nos aparelhos móveis (mobile first) devem ser adotadas para que o produto tenha aderência com essa população.
Munir de conhecimento técnico é importante, mas o tato, a apresentação do conteúdo e atividades propostas devem ser adequadas para um público que muitas vezes possui lacunas na educação formal.
E portanto, declaro o problema redefinido da seguinte forma: "Como capacitar jovens periféricos para as demandas do mercado de trabalho digital e protagonizem suas carreiras?".

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A solução
Após estudar a persona construída a partir das análises feitas da entrevista, estudo do contexto demográfico e projetar tanto um mapa de empatia quanto de possíveis jornadas desse usuário na busca por desenvolver-se profissionalmente, temos uma visão de produto que busca adequar-se na rotina do cidadão de periferia.
O produto KORRE consiste em um ambiente de capacitação e desenvolvimento de carreira através de mentores que designam tarefas e acompanham a progressão do grupo de usuários mentorados. Nele, os jovens poderão selecionar as carreiras que desejam seguir e, considerando a pluralidade de conhecimentos prévios, tempo hábil para investir no âmbito profissional e outros, escolherão mentores competentes na área de atuação para auxiliá-los nesta jornada.
Do ponto de vista do negócio, não seria coerente com a realidade apresentada pelo problema que a monetização fosse atribuída sobre os usuários alunos, portanto o produto deve explorar oportunidades rentáveis que agregue valor para outras empresas, mentores e órgãos relevantes.
Vislumbrando versões posteriores, a dinâmica entre mentor e aluno deve acontecer de forma fluída e recursos como o What's App já cumprem funções de comunicação que tornam integrações essenciais para sobrevivência e relevância do aplicativo a longo prazo.